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Qual será o futuro do Ford Ka no Brasil?

Ka não só é o Ford mais vendido no Brasil, como há grandes chances dele encerrar 2020 entre os cinco carros mais emplacados do país no ranking geral. Mesmo assim, ele perdeu equipamentos e versões e tem horizonte incerto por aqui. O que explica isso, e o que esperar do modelo (ou seu sucessor) para os próximos anos?

Primeiro é preciso relembrar o caminho da terceira (ou segunda, dependendo do critério) geração do modelo, lançada no Brasil em 2014. Desenvolvido em parceria com outros países, o Ka foi a arma da Ford para disputar globalmente o segmento de hatches compactos em uma faixa de preço que o Fiesta se distanciava cada vez mais.

Atualmente a versão topo de linha do Ka é a aventureira Freestyle — Foto: Divulgação

Atualmente a versão topo de linha do Ka é a aventureira Freestyle.

enxugamento das operações da gigante norteamericana no mundo inteiro, porém, também afetou o Ka. Atualmente o modelo é um dos dois únicos carros de passeio da Ford produzidos no Brasil, junto do EcoSport.

Um ajuste na gama tirou de linha a versão Titanium e, com ela, itens como botão de partida, airbags de cortina e para o joelho do motorista e até o moderno multimídia Sync 3.0, com assistente de emergência e duas entradas USB iluminadas. Em seu lugar ficou o sistema de geração 2.5, mais simples e com apenas um conector USB.

Até as versões automáticas, únicas disponíveis com motor 1.5, foram afetadas: sem grande alarde, a Ford retirou a opção de trocas sequenciais na alavanca. O retrocesso vem em um momento em que o carro foi duramente criticado pelo Latin NCAP, após ter sido reprovado nos testes com o novo protocolo da ONG latina.

“A Ford está trabalhando para adicionar equipamentos de segurança de série na linha Ka, como controle eletrônico de estabilidade e airbags laterais”, afirmou a Ford em comunicado enviado à Autoesporte.

A versão Titanium, mais equipada, saiu de linha este ano — Foto: Divulgação

A versão Titanium, mais equipada, saiu de linha este ano.

Futuro incerto
O que é quase garantido é que o Ka não terá uma nova geração. O jornalista Marlos Ney Vidal, do Autos Segredos, afirmou que a marca estuda, no máximo, uma segunda reestilização no modelo para garantir uma sobrevida para além de 2022.

Pode parecer um contrassenso a Ford abrir mão de mais de 80 mil Ka e Ka Sedan que serão vendidos esse ano, ou os 150 mil emplacados em 2019. Mas o principal motivo para isso vai além do foco global da fabricante em SUVs, e já pode ser percebido no mercado atual.

Mais equipado, o antigo Ka europeu pode ser inspiração para as próximas novidades do modelo nacional — Foto: Divulgação

Mais equipado, o antigo Ka europeu pode ser inspiração para as próximas novidades do modelo nacional.

Você já deve ter reparado que os carros populares estão ficando mais modernos, eficientes, e… Bem, menos populares. Fazer os modelos antigamente chamados de “pelados” faz cada vez menos sentido, e pelo mesmo motivo que as fabricantes também estão fugindo dos SUVs para PCD: ambos têm menor margem de lucro. Ou seja, para ganhar dinheiro, é preciso vender muitos carros, o que requer mais investimento em pós-venda e marketing. Ainda que em volume menor, acaba sendo mais lucrativo vender Territory, por exemplo, que possui uma rentabilidade maior.

O futuro do Ka não parece ser muito próspero, mas a Ford ainda tem boas cartas na manga para o compacto. Ter uma ideia de como ele poderia ser é fácil: basta olhar como era a versão vendida na Europa até 2019.

Com direito até a sobrenome (Plus), o Ka “dos gringos” tinha seis airbags, monitoramento de pressão dos pneus, retrovisores rebatíveis eletricamente e até ar-condicionado automático. Imaginar a oferta desses itens — e retorno, no caso dos airbags de cortina — no Brasil não é difícil, pois seu custo de implementação é menor e permite o aumento do preço do carro, subindo, no mesmo ritmo, a margem de lucro do Ka.

O que deve passar longe do hatch e sedã são itens como a frenagem autônoma de emergência ou mesmo faróis totalmente em leds. Como eles nunca equiparam a dupla, exigiriam um custo maior de desenvolvimento que não se justificaria. Mesmo o ESC, que já equipa as versões mais cara dos modelos, não deve ser aplicado no restante da gama, pois a obrigatoriedade do item de segurança em todos os carros no Brasil foi adiada a pedido das fabricantes.

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